Via: [GEARED] Grupo de Estudo e Agitação dos Radicais de Esquerda Desencantados

O guerrilheiro e revolucionário marxista Carlos Lamarca, líder da luta armada contra a ditadura militar brasileira, conduzindo um treinamento de tiro em 1968.Carlos Lamarca (1937-1971) nasceu no Rio de Janeiro em uma família de classe média. Cursou o ensino básico na Escola Canadá e o ginásio no Instituto Arcoverde. Interessou-se por questões políticas já na adolescência, tomando parte das manifestações de rua durante a campanha nacionalista “O Petróleo É Nosso”. Em 1955, ingressou na Escola de Cadetes de Porto Alegre. Cinco anos depois, formou-se pela Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende.Após sua formatura, Lamarca integrou o primeiro posto no 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna, em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, destacando-se como o melhor atirador de seu regimento. Em 1962, integrou o Batalhão de Suez das Forças de Paz da ONU, atuando em Gaza, na Palestina. Após testemunhar a repressão e as condições de vida da população local e travar contato com os revolucionários palestinos, Lamarca passou a se aprofundar nas teses socialistas, lendo autores marxistas clássicos. Retornou ao Brasil em 1963, sendo alocado na 6ª Companhia da Polícia do Exército em Porto Alegre.Opositor do Golpe Militar de 1964, Lamarca auxiliou um capitão brizolista sob sua guarda a fugir do Brasil. Pouco tempo depois, já promovido a capitão, foi transferido de volta para Quitaúna, onde conheceu Darcy Rodrigues, sargento do exército que havia sido preso por protestar contra o golpe. Rodrigues introduziu Lamarca nos trabalhos teóricos de Lenin e Mao Tsé-Tung e intermediou os contatos entre o capitão e os movimentos de esquerda que coordenavam a luta armada contra o regime militar. Lamarca iniciou então a organização de uma célula comunista dentro do 4º Regimento, agregando sargentos, cabos e soldados. Em 1968, encontrou-se com Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN). Marighella negociou asilo para a família de Lamarca em Cuba, visando evitar retaliações à deserção já prevista pelo capitão.Após o emissão do Ato Institucional nº. 5 (AI-5) e o recrudescimento da repressão, Lamarca intensificou sua atuação junto aos movimentos armados, em especial a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob liderança do ex-sargento Onofre Pinto. A VPR pretendia iniciar uma guerrilha rural na Amazônia e Lamarca ajudou a elaborar um plano para obter o armamento necessário. O capitão combinou que desertaria junto com os companheiros de farda, subtraindo centenas de fuzis, dois obuses e a munição armazenada no 4º Regimento. O plano foi frustrado após os militares encontrarem o caminhão pintado com as cores do exército que seria usado para carregar o arsenal. Três integrantes da VPR foram presos na ocasião.Ciente o risco de delação, Lamarca desertou, fugindo do 4º Regimento em uma Kombi carregada com 63 fuzis FAL, três metralhadoras e munições. Passou a viver nas sedes dos “aparelhos” revolucionários clandestinos de São Paulo, ajudando a organizar a luta armada e a levantar fundos para os movimentos. Durante esse período, apaixonou-se por Iara Iavelberg, militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), com quem passou a morar. Após uma grande ação perpetrada pelos órgãos de inteligência da ditadura que desarticulou a VPR, Lamarca organizou a fusão entre os membros restantes da organização, o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e o grupo União Operária, fundando a VAR-Palmares.Após a morte de Marighella, Lamarca, Iara e 16 guerrilheiros abandonaram a capital paulista e partiram para o Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, onde estabeleceram um núcleo de treinamento de guerrilha. Em abril de 1969, após uma nova prisão de integrantes da VPR, um dos presos denunciou a localização do grupo. As Forças Armadas enviaram um contingente de 2500 homens para procurar os revolucionários no Vale do Ribeira, auxiliados pela Polícia Militar de São Paulo. A megaoperação bloqueou estradas, varreu as matas com helicópteros e bombardeou áreas civis suspeitas de servirem de refúgio aos guerrilheiros. Lamarca conseguiu desmontar as bases a tempo e embrenhou-se na Mata Atlântica com seu grupo, evitando a captura. Em 8 de maio, o grupo foi localizado por uma unidade policial lideradas pelo tenente Alberto Mendes Júnior. Os guerrilheiros conseguiram subjugar os policiais e fugiram novamente, escapando em seguida de duas escaramuças montadas pelo exército e de uma patrulha coordenada pelo coronel Erasmo Dias. Após 41 dias na mata, famintos e exaustos, os guerrilheiros renderam um grupo de militares e tomaram seu caminhão, retornando a São Paulo. Lamarca havia escapando com sucesso da maior mobilização da história do II Exército.Em dezembro de 1970, Lamarca coordenou o sequestro de Giovanni Bucher, embaixador da Suíça no Brasil. Em troca da soltura do embaixador, o guerrilheiro exigiu a libertação de 70 prisioneiros políticos, o congelamento geral dos preços por 90 dias e a liberação das roletas nas estações de trem do Rio de Janeiro. A troca foi realizada após um mês. No ano seguinte, Lamarca desligou-se da VPR e ingressou no MR-8. Mudou-se com Iara para a Bahia, com o propósito de montar um novo aparelho revolucionário no Nordeste. Iara foi para Feira de Santana e depois para Salvador. Lamarca seguiu para Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina, onde se encontraria com o metalúrgico José Campos Barreto, ex-companheiro da VPR e VAR-Palmares.Em agosto de 1971, a polícia do Rio de Janeiro apreendeu documentos em posse do guerrilheiro César Benjamin que denunciavam a localização de Lamarca. Outro guerrilheiro preso, José Carlos de Souza, entregou sob tortura a localização de Iara. O exército montou então uma operação de captura do casal. Iara foi assassinada a tiros em um apartamento no bairro de Pituba, em Salvador. Em seguida, o DOI-CODI baiano e o exército montaram a Operação Pajuçara, sob o comando do delegado Sérgio Fleury, com o objetivo de capturar Lamarca. A força tarefa era composta por 215 militares, policiais federais, agentes do DOPS, policiais militares baianos e 18 homens da Para-Sar. Os militares chegam a Brotas de Macaúbas em 28 de agosto. Lamarca conseguiu fugir, embrenhando-se na caatinga e percorrendo 300 quilômetros antes de ser encurralado e assassinado, em 17 de setembro de 1971.

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