Na terça-feira, 01 de setembro, a Editora Consequência e o Instituto de Estudos Libertários (IEL) realizaram visita ao parceiro da campanha “Cestas de Leitura”, a Frente de Mobilização Maré, no Museu da Maré, Morro do Timbau/Maré, para a entrega da primeira cesta de leitura da campanha. Foi um momento muito especial para a campanha e xs envolvidxs. 52 moradoras e moradores da Maré, em sua maioria jovens e jovens adultos, que vêm participando de forma voluntária dos trabalhos da Frente de Mobilização Maré escolheram do catálogo de 21 livros da campanha para suas leituras individuais, ainda receberam um livro com base no pensamento crítico de Marx e um conjunto de ca. de 30 livros para um canto de leitura de acesso comum na comunidade.

Na ocasião realizamos uma roda de conversa, onde destacou-se a importância do livro como meio de troca de conhecimento crítico e emancipatório que não é tão facilmente manipulado ou censurado quanto, por exemplo, sites e redes sociais. A leitura também apresenta-se como crucial para refletir, a partir das experiências discutidas nos livros da cesta de leitura sobre resistências, movimentos sociais, a América Latina contemporânea e suas questões sociais, entre outros, para pensar futuros possíveis das frentes de solidariedade que se formaram em um contexto de emergência comunitária pandêmica.

A Frente de Mobilização Maré formou-se ao redor de comunicadores populares que vêm atuando há anos nas favelas da Maré sempre visando fortalecer os fluxos de informação entre os 140.000 moradoras e moradores das 16 favelas. Rapidamente grupos e coletivos comunitários, tanto quanto maiores organizações e instituições decidiram unir forças e formaram trabalhos em eixos importantes como a comunicação e sensibilização referente à pandemia – com banneres, cartazes e carros de som rodando com informações sobre os riscos diante do vírus – , ajuda emergencial econômica com entrega de cestas básicas, kits de higiêne, incluindo alcool gel, butijões de gás, e iniciativas referente à questão sanitária com acompanhamento estatístico, pesquisas próprias e notificação sobre o avanço da pandemia.

A dinâmica da Frente de Mobilização Maré impressiona por diversas razões:

– a solidariedade: em muito pouco tempo muitas pessoas, instituições públicas e empresas fizeram doações ou de dinheiro ou de material para contribuir com o trabalho da frente

– a magnitude: já foram quase 4 mil famílias contempladas em todas as favelas do território pelos trabalhos da frente

– a disposição: muitos voluntários têm-se engajado de forma inspiradora e admirável nos trabalhos da frente, desde os primeiros dias, com a organização, coordenação e execução dos trabalhos de comunicação, entregas, logística, etc.

– o potencial mobilizador: a frente tem aglutinado voluntários de mais diversas áreas de interesses e contextos sociais e culturais que vêm ganhando interesse pelo mundo da militância comunitária através da frente

– as redes de colaboração: entre as frentes de diversas favelas existem laços fortes de comunicação e colaboração, assim que doações são trocadas entre as frentes conforme tenha capacidade e surjam as necessidades especificas de cada localidade

– a busca pelo conhecimento emancipador que acompanha a práxis comunitária: foi fácil sentir e muito visível o interesse dos ca. de 20 voluntários da frente que participaram da roda de conversa pelo pensamento crítico que é gerado junto aos movimentos de resistência em toda a América Latina e no mundo. Ficaram combinados futuros encontros com possível convite para autorxs de estabelecerem um diálogo com as frentes de solidariedade. Um tema para o futuro próximo para as frentes e pensar a continuidade de ações solidárias e de resistência em meio à crise sanitária, econômica e social que não está dando sinais de ser superado tão em breve.

Em meio a tantas mobilizações e campanhas não tem sido fácil conseguirmos apoio para a campanha das cestas de leitura, mas com o apoio que recebemos ter sido possível esta ação de apoio e reconhecimento da importância da Frente de Mobilização Maré foi uma linda experiência, fez valer todo o esforço e despertou a vontade de conseguirmos alcançar mais grupos em diversas favelas da região. Já estamos dialogando com uma frente de solidariedade no Alemão e outra no Morro do Palácio/Niterói para escolherem suas cestas e combinarmos entregas das cestas com rodas de conversa e troca de saberes.

Parabéns a todas as frentes que continuam atuando para amenizar os impactos negativos da pandemia nos territórios dos mais vulneráveis!

Vida longa às frentes de solidariedade nas favelas e nos territórios populares!

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